quinta-feira , 9 dezembro 2021
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Série “Cuiabá 20 anos” – A Fundação

Série “Cuiabá 20 anos”

No próximo dia 12 de dezembro, o Cuiabá completa 20 anos de fundação. Em duas décadas, o Dourado já se coloca como maior protagonista do futebol de Mato Grosso. Dez títulos Estaduais, bicampeão da Copa Verde, além de ter recolocado o Mato Grosso na elite do futebol brasileiro após mais de três décadas.
De hoje até o dia 12 de dezembro, vamos contar os principais capítulos desta história em 15 matérias especiais, na série “Cuiabá 20 Anos”, começando pelos detalhes de como tudo começou.

A FUNDAÇÃO
Aposentado dos gramados, fã de pescaria e com fazendas em Mato Grosso, Luís Carlos Toffoli, o Gaúcho, decide montar uma escolinha na capital mato-grossense, no primeiro desafio pós-carreira do ex-atacante que brilhou com as camisas do Flamengo, Palmeiras, Grêmio, entre outros.

Luís Carlos Toffolli, o Gaúcho, fundador do Cuiabá

Criada inicialmente com foco nas categorias de base e disputa de torneios amadores, a então Escolinha do Gaúcho, que ficava perto do Córrego do Barbado, foi avançando à medida do sucesso que viria 20 anos depois, com o clube na Série A do Brasileirão.

– O Gaúcho tinha uma escolinha em Indaiatuba, interior de São Paulo, e que dava super certo, era bem legal. E ele tinha amigos em Cuiabá, principalmente o Neto Nepomuceno. Eles jogaram juntos no Flamengo e sempre se encontravam para pescar. Em uma dessas idas eles combinaram de abrir a escolinha. Isso foi em 1997 – disse Inês Galvão, viúva de Gaúcho.

Neto Nepomuceno deu mais detalhes de como surgiu a ideia de montar o negócio na capital mato-grossense.

– Ele vinha para cá pescar todo ano, éramos muito amigos. Quando ele estava parando a carreira eu estava morando em Cuiabá. Aí montamos a escolinha e ele veio de mudança. A escolinha foi crescendo na questão de categorias, formação de atletas, houve essa necessidade da gente criar o clube, federar jogadores, participar de competições – disse Neto.

Inicialmente, a escolinha seria criada em Rondonópolis, cidade natal de Neto, mas isso logo foi descartado. Segundo Inês, Gaúcho tinha acabado de se aposentar dos gramados apesar de ainda ter tido propostas para continuar no futebol.

– O projeto foi crescendo e ele resolveu ficar em Cuiabá. Poucos meses depois eu também larguei tudo no Rio de Janeiro e vim morar com ele. O Gaúcho tinha o sonho de sair do Rio quando terminasse a carreira para criar os filhos. Tivemos três, além de um que eu já tinha quando nos conhecemos – afirmou Inês.

A escolha do nome
Com o passar dos anos, a Escolinha do Gaúcho já estava consolidada e veio a necessidade de dar um passo a mais para movimentar as jovens promessas em torneios estaduais da base.

Gaúcho e Neto Nepomuceno, em 2003

– Chegou em novembro de 2001 e aí surgiu de montar um clube para a categoria de base. Veio uma ideia do Gaúcho de comprar o Palmeiras do Porto (clube da Baixada Cuiabana), pois qualquer outro clube que a gente fosse montar teremos rejeição, o povo aqui é muito bairrista – completou Neto.

– A escolinha foi tomando corpo, crescendo e lá na frente, em 2001, que eles começaram a visualizar a criação de um time. Inicialmente, ele se chamaria Mato Grosso, mas aí viram que esse nome já estava registrado – disse Inês, que completou citando como chegaram ao nome de Cuiabá.

– O Gaúcho estava reunido com o pessoal da escolinha e eu estava passando por ali na sala, servindo comida, um cafezinho e foi aí que eu falei: “Gente, o time é da cidade, é daqui de dentro, tem que se chamar Cuiabá. Eu nem fazia parte da reunião, mas dei meu pitaco e no fim deu certo.

A história foi confirmada por Heroney Lima, atual treinador do time feminino do Cuiabá, e que era muito amigo do casal Gaúcho e Inês Galvão.

– Me lembro bem dela com uma travessa nos servindo e falou desse jeito mesmo: “Em São Paulo tem o São Paulo, em Fortaleza tem o Fortaleza, em Curitiba tem o Coritiba, então Cuiabá tem que ter o Cuiabá”. A gente se olhou e ficou pensando nisso. Dias depois, o nome estava oficializado, relatou Heroney.

Ele lembra ainda que um dos nomes cogitados por Gaúcho seria Pantanal Futebol Clube.

– Mas no fim, vimos que levar o nome da capital mato-grossense era o mais certo. Ainda bem que a Inês passou na reunião no momento e no alertou disso – completou Heroney aos risos.

Neto Nepocemuno lembra que no início o nome Mato Grosso chegou por conta uma parceria com empresários de Várzea Grande. Jogadores da escolinha do Cuiabá foram emprestados para disputar o Mato-grossense pelo Asdem (Associação Desportiva Mato Grosso).

– Mato Grosso foi uma sociedade que foi feita com um pessoal de Várzea Grande. O trabalho estava sendo bem feito, mas eles não entendiam de futebol e começaram a interferir no trabalho e a parceria foi desfeita. Eles chegaram a disputar o Mato-grossense em 1999 e acabaram rebaixados. Depois disso, vimos que tínhamos que montar nosso próprio clube.

O início
Segundo Neto Nepomuceno, o foco inicial era a disputa dos estaduais da base, mas logo veio a necessidade de ampliar o projeto. Segundo ele, no final de 2002 o clube decidiu disputar a Copa São Paulo de Futebol Júnior, o principal torneio de base do país. Isso foi o propulsor para a profissionalização do Dourado.

Uma das primeiras formações do Cuiabá

– Começamos com a base, aí surgiu a ideia para disputar a Copa São Paulo em janeiro de 2003, mas só podia ir quem já tinha um clube profissional, e a gente não era profissional. Aí fomos falar com o então presidente da federação estadual, Carlos Orione, e explicamos que estávamos dispostos a resgatar o futebol de Mato Grosso e o Cuiabá já tinha uma estrutura boa. Se ele conseguisse a vaga para a Copa São Paulo, a gente iria disputar o Mato-grossense com um time forte, jovem para resgatar o futebol estadual que na época estava em decadência com muitos clubes licenciados – relatou Neto.

Inês Galvão ressaltou as dificuldades no início, mas lembrou como as coisas foram dando certas com a união de todos.

– Não tinha patrocínio no começo, era bem complicado. Eu que lavava os uniformes dos jogadores junto da minha assistente, a Zuleide. E eu fazia umas mandigas, um chá de erva doce, spray com cheirinho, para dar sorte. Tínhamos alojamentos na escolinha, eles faziam refeições lá e eu cozinhava. A mãe da Zuleide era cozinheira e íamos nos virando. O Gaúcho sempre foi um cara muito positivo e determinado. Ele sempre conseguia o que queria.

Neto também endossou o coro que a união do grupo fez a diferença para o sucesso repentino. Segundo ele, todos se ajudavam em prol do objetivo.

– A gente tirava dinheiro do bolso. Os pais nos ajudavam muito. Com pequenas quantias, mas que pagavam as despesas do dia a dia. Tinha um pai de um aluno que tinha um mercado e nos garantia alimentação. Essas coisas foram fundamentais.

Mascote, brasão e hino

Primeiro escudo do Cuiabá, foto de 2003 no Estádio Verdão

Com o clube criado, nome definido restava escolher como seria o brasão, a escolha do mascote e a elaboração do hino.

– Fizemos uma pesquisa após a escolha do nome e falou-se sobre o centro geodésico da América do Sul, de Cuiabá ter isso em sua geografia. Foi aí que veio essa confirmação de que teríamos que usar – afirmou Neto, completando sobre como o hino foi criado.

– O Henrique e o Claudinho (dois músicos de Cuiabá), eram amigos nossos e eles chamaram o Pescuma, outro músico conhecido, para fazer o hino. Sentamos na mesa e fomos colocando no papel, tudo em conjunto. E até o hino nos abençoou pois ele diz: “Nasceste predestinado para ser um grande campeão”. É um clube predestinado, tem uma história muito bonita.

De acordo com Neto, foi através da elaboração do hino que veio a ideia de definir o Dourado como mascote oficial. O peixe Dourado é conhecido como o Rei do Rio, pela característica de predador e travar brigas intensas ao ser pescado.

Heroney Lima, amigo da família, contou uma história curiosa sobre o primeiro mascote pensado por Gaúcho, mas que também tem relação com rio e o Pantanal.

– Em uma de nossas pescarias, o Gaúcho viu uma sucuri. E ele logo quis ir embora, ficou com um pouco de medo. E ele queria que o mascote fosse uma sucuri, porque todos têm medo. Mas depois falamos para ele que ter uma cobra como símbolo não poderia ser muito bom, pois tem aquela questão de mal sentido. Depois ele ainda descobriu que tinha um bairro chamado Sucuri e ele queria levar a sede do clube para lá. Ele gostava dessas brincadeiras – confirmou Lima.

Nos próximos dias, mais um capítulo da série “Cuiabá 20 Anos”.

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