domingo , 26 junho 2022
Queda no valor de criptomoedas preocupa Wall Street

Queda no valor de criptomoedas preocupa Wall Street

No início de 2022, os ativos combinados da indústria de criptomoedas estavam estimados em US$ 3 trilhões. Agora, os preços de bitcoins e outras criptomoedas estão em processo de declínio acelerado após o Federal Reserve (Fed) sinalizar alta de juros para tentar acabar com a inflação. Na segunda-feira, o bitcoin foi negociado a US$ 20,097 mil, cerca de 70% abaixo do seu pico em novembro do ano passado (US$ 69 mil).

O que acontece com as criptomoedas é uma versão extrema do que vemos nos mercados de ações: investidores vendem ativos de risco quando percebem a ameaça crescente de uma recessão. Para especialistas, isso mostra o aumento da preocupação em Wall Street sobre as bases fundamentais da indústria de finanças descentralizadas, que parecem frágeis neste momento. Apelidado de “inverno cripto”, esse não é o primeiro período de recessão na história do bitcoin ou das criptomoedas, contudo é o mais preocupante na visão do mercado financeiro.

A criptomoeda Terra, conhecida por sua estabilidade, colapsou em questão de dias em maio, levando US$ 40 bilhões em fortuna dos investidores. A companhia Celsius Network, responsável por operar um banco para titulares de criptomoedas, congelou as contas de 1,7 milhões de clientes na última semana, pegando depósitos e realizando investimentos com esses valores – uma vez avaliados em aproximadamente US$ 10 bilhões. Diferente de bancos reais, não existem seguros federais protegendo os depósitos destes consumidores.

Em seguida, o fundador do Three Arrows Capital, fundo situado em Cingapura, comentou rumores sobre seu colapso iminente com um tuíte misterioso: “Estamos em processo de nos comunicarmos com as partes relevantes e totalmente comprometidos em resolver esta situação”.

Na semana passada, o CEO e cofundador da Coinbase, uma das maiores bolsas de criptomoedas, anunciou que a empresa demitiria cerca de 18% de seus funcionários e disse que uma recessão mais ampla poderia piorar ainda mais os problemas do setor. “Uma recessão pode levar a outro ‘inverno’ das criptomoedas e pode durar um longo período”, disse o CEO Brian Armstrong.

Este não é o primeiro “inverno cripto”. Em 2018, o bitcoin caiu de US$ 20 mil para menos de US$ 4 mil. Mas analistas dizem que desta vez parece diferente.

Hilary Allen, professora de direito da American University que fez pesquisas sobre criptomoedas, disse que não está preocupada com a última turbulência do setor se espalhando pela economia em geral. No entanto, entre os investidores, os problemas podem estar surgindo sob a superfície.

“Existem fundos de hedge que têm empréstimos bancários que fizeram apostas em criptomoedas, por exemplo”, disse ela. E sempre que os investidores emprestam dinheiro para aumentar o tamanho de suas apostas – algo conhecido no mundo financeiro como “alavancagem” – a preocupação é que as perdas possam se acumular rapidamente.

“As pessoas estão tentando fazer análises, mas há falta de transparência e é difícil entender quanta alavancagem existe no sistema”, disse Stefan Coolican, ex-banqueiro de investimentos e agora membro do conselho consultivo da Ether Capital.

Por essas e outras razões, houve um esforço em Washington para regular mais de perto a indústria de criptomoedas, um esforço que está ganhando força.

“Acreditamos que a recente turbulência apenas ressalta a necessidade urgente de estruturas regulatórias que mitiguem os riscos que os ativos digitais representam”, disse o Departamento do Tesouro em comunicado.


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