sábado , 16 outubro 2021
Itaú usa 'tag' de pedágio para veículos como estratégia para reter clientes

Itaú usa ‘tag’ de pedágio para veículos como estratégia para reter clientes

Na guerra cada dia mais acirrada para manter e conquistar clientes, o Itaú Unibanco está adotando mais uma arma. Em parceria com a ConectCar, empresa da qual detém metade do capital, o banco anunciou o lançamento da Tag Itaú. O adesivo, que permite passagem automática por todos os pedágios e mais de mil estacionamentos do País, será oferecido sem mensalidade a seus cerca de 60 milhões de clientes – e também para quem quiser vir a ter relacionamento com o banco. A oferta vai começar pelos clientes de cartão de crédito da instituição e, até o fim do ano, estará disponível a todos, inclusive os da operação digital Iti.


A isenção em serviços do gênero, para parte ou a totalidade dos clientes, já vinha sendo uma estratégia usada pelo Itaú, assim como por alguns de seus concorrentes, como o Bradesco, o C6 Bank e o Inter, que trabalham ao lado de outros parceiros de tecnologia, como a Veloe e a Greenpass.

Para o sócio-diretor da área industrial da consultoria Roland Berger Brasil, Marcus Ayres, trata-se de uma área que o setor financeiro deverá disputar com cada vez mais afinco, uma vez que pedágios e estacionamentos são apenas a “ponta do iceberg” em relação ao que é possível cobrar por meio de uma tag. Ayres lembra que a Sem Parar, líder do segmento, já firmou até parcerias com o McDonald’s para uso de seu serviço em drive-thru.

Modelo de negócio

Para o Itaú, é uma mudança na forma de encarar o próprio serviço ConectCar, que passa a ser menos independente e mais uma ferramenta para agradar ao cliente do banco. “É uma forma diferente de encarar esse investimento que fizemos há anos na ConectCar”, admitiu ontem o diretor e membro do comitê executivo do Itaú Unibanco Alexandre Zancani.

Agora, em vez de trazer faturamento com a venda dos adesivos magnéticos que permitem o pagamento automático de pedágios e de estacionamentos, o Tag Itaú vai contribuir com a retenção de clientes e com a geração de mais engajamento. “É uma mudança no modelo de negócios para o Itaú”, afirmou Zancani, que espera ver o banco passar a ganhar “com a maior vinculação e venda de outros produtos”.

Com isso, a maior parte da remuneração do serviço de “tag” passará a vir do banco, e não mais dos clientes finais. “A ConectCar passa a ter custo de aquisição de clientes praticamente zerado, e é remunerado pelo Itaú”, disse o presidente da empresa, Felix Cardamone.

Segundo ele, os investimentos que capacitavam a companhia a ganhar escala já foram feitos, e o novo modelo, que vai expandir sua base exponencialmente, só acelerará o retorno. Segundo Ayres, da Roland Berger, à medida que o serviço de tags de pagamento se popularizou, a “barreira de entrada” de novos concorrentes no setor diminuiu.

Desta forma, hoje há desde serviços que têm os pedágios e estacionamentos como negócio central (como a Sem Parar), empresas que têm bancos como sócios (caso da Veloe e da ConectCar) e também startups prontas para oferecer toda a operação tecnológica da oferta para terceiros (Greenpass).

Mudança societária

A Conect Car seguirá oferecendo seus pacotes de serviços àqueles que não têm relacionamento com o Itaú Unibanco, mas, antes de rever seu modelo de negócios com o sócio e lançar a Tag Itaú, fez um rearranjo societário. No lugar do grupo Ultra, que detinha a outra metade do capital, entrou a Porto Seguro.

A operação ainda aguarda a aprovação de autoridades e, segundo Cardamone, uma vez aprovada a substituição no capital, espera-se que a Porto, que é líder no segmento de seguro auto, lance também facilidades para seus clientes com a tag.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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