quarta-feira , 10 agosto 2022

Fla lamenta violência na final e rebate comandante do GEPE

A final da Copa Sul-Americana de 2017 ficou marcada por conta das várias confusões e dos inúmeros confrontos entre os torcedores e a polícia. Nesta quinta-feira, o Flamengo se posicionou sobre todo o caso e lamentou as cenas de selvageria que foram vistas no Maracanã.

Em entrevista ao Jornal Hoje, o comandante do GEPE, major Silvio Luiz, ligou as confusões ao esquema de venda de ingressos do Fla, que é no cartão do sócio-torcedor, dificultando para saber quem realmente pode ou não entrar no estádio. Por sua vez, o clube afirma que método é comum no mundo todo e não acarretou as confusões.

Alguns torcedores tentaram invadir pelos portões do Maracanã, e na nota, o clube lembrou que fato acontece sempre em jogos de maior apelo do clube no estádio. A diretoria pediu desculpas pelas cenas lamentáveis e tentou listar problemas possíveis para o episódio que manchou a decisão da Sul-Americana.

Por fim, o Flamengo se colocou à disposição para ajudar os órgãos públicos para elaborar um melhor esquema de segurança e fiscalização para os jogos decisivos do time no estádio, principalmente com os bloqueios nas ruas. O esquema realizado na Copa do Mundo foi listado como exemplo. 

Confira abaixo a nota oficial emitida pelo clube

“O Clube de Regatas do Flamengo vem a público expressar sua indignação com os fatos ocorridos na noite desta quarta-feira, no Maracanã, durante a final da Copa Sul-Americana. E também se solidarizar com todos os torcedores que, de alguma maneira, foram afetados pela selvageria, violência e falta de cidadania daqueles que provocaram tumulto antes e depois da partida.

A confusão antes do jogo foi provocada primordialmente por um grande número de pessoas tentando entrar no estádio sem ingressos, o que, infelizmente, é um hábito comum e histórico em todas as partidas de grande apelo do clube no Maracanã.

O problema ocorrido após o apito final foi fruto da frustração de torcedores com o resultado, mas de forma alguma se justifica. Torcedores que amam o clube, suas famílias, além de profissionais atuando no jogo não podem ficar reféns, retidos no estádio, em função da ação de selvagens.

Cabe reflexão mais ampla e profunda sobre os fatos por parte da sociedade. Diferentemente de outros eventos no Rio de Janeiro, como o Rock In Rio ou o Carnaval que mobilizam enorme interesse e têm escassez de ingressos, o futebol padece de problemas mais graves. Existe a “tradição” nefasta do torcedor que não possui ingresso em forçar a entrada no estádio; a infiltração de desordeiros em torcidas organizadas e o espírito de agressividade muito maior do que em outras atividades culturais. Tudo isso faz com que o controle de público em jogos de futebol seja muito mais complexo.

Se considerarmos a praça em que o espetáculo é realizado, cabe ressaltar que o Maracanã é um estádio grande, urbano, dentro de um bairro populoso, o que faz com o que o acesso a ele seja fácil, o que, paradoxalmente facilita a invasão de torcedor, o que aconteceu até mesmo na Copa do Mundo.

Portanto, consideramos equivocada a justificativa dada pelo comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios de que apenas um fator – o uso de cartões-ingressos descarregados por sócio-torcedores mal-intencionados – seja a razão predominante para os acontecimentos de ontem. É importante citar que cartões-ingresso são amplamente utilizados em eventos esportivos no mundo todo, inclusive no Brasil, e são uma forma de oferecer conforto e comodidade aos torcedores que fazem uma contribuição fundamental ao Flamengo, além de representarem um fator inibidor do cambismo e de confusões na venda de ingressos, como as grandes filas e quebra-quebras em bilheterias.

Um jogo decisivo do Flamengo, com lotação máxima apresenta muito maior risco e complexidade no que diz respeito ao acesso de torcedores do que uma partida de Copa do Mundo, em função das diferenças de perfil dos públicos envolvidos. Em compensação, a mobilização e o planejamento dos órgãos públicos para uma partida como a de ontem é incomparavelmente menor do que o realizado nos jogos do Mundial de 2014.

Outro ponto que torna o planejamento para partidas de grande apelo é o fenômeno das torcidas organizadas, movimento criado há cerca de 50 anos, que surgiu com o propósito de incentivo ao time, mas que hoje é associado a episódios de invasão, vandalismo e violência.

Some-se a isso o hábito dos torcedores em geral em postergarem sua entrada no estádio, a compra de ingressos, muitas vezes falsos, em cambistas e a já citada utilização indevida dos cartões de sócio-torcedor.

A título de informação, em reuniões operacionais antes da partida, o Flamengo notificou o Comando Maior da Polícia, assim como o GEPE, o 6º Batalhão (Tijuca) e a Guarda Municipal, solicitando o maior efetivo possível, dado o grande apelo da partida. Por sua vez, contratou quase mil seguranças privados para atuar a partir do momento da revista e acesso a catracas e em vários setores dentro do estádio.

Mesmo assim, tal mobilização pública e privada não foi suficiente para impedir os problemas, que aconteceram não só no Maracanã, como também em diversas ruas dos bairros próximos ao estádio, estações de trem e estações de metrô.

Dada tal escalada de violência, o Flamengo se propõe a, junto com os órgãos públicos, encontrar soluções para que seus jogos decisivos no Maracanã tenham o efetivo de segurança adequado, planejamento e bloqueios de ruas compatíveis com sua complexidade, uma vez que a Polícia Militar do Rio de Janeiro tem encontrado muitas dificuldades do ponto de vista de estrutura e contingente para realizar seu trabalho nas praças esportivas e outros pontos do Estado”

 

Por Terra

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