sábado , 25 junho 2022

Cabo da PM diz que coronel pediu para ‘abafar o caso’

O cabo da Polícia Militar Euclides Luiz Torezan, que desenvolveu o sistema usado para escutas clandestinas no governo de Mato Grosso, prestou depoimento à Justiça Militar, nesta sexta-feira (9). Ele disse que o coronel da PM Ronelson Barros o procurou pedindo para “abafar o caso” e alinhar o depoimento com o cabo Gerson Correa Júnior, que já estava preso.

Gerson era responsável por coordenar a central clandestina e foi preso em maio do ano passado, junto com o ex-comandante da PM de Mato Grosso, coronel Zaqueu Barbosa. Já Barros é ex-secretário-adjunto da Casa Militar de Mato Grosso e passou dois meses preso, no ano passado. Ele cumpre prisão domiciliar.

Euclides Torezan, que também foi preso no ano passado suspeito de participação no esquema dos grampos, disse ter sido procurado por Barros no estacionamento da Casa Militar, que fica no Palácio Paiaguás. O cabo ainda disse temer que algo ruim possa acontecer com ele. “Sempre tem um temor”, declarou.

Ele explicou que o sistema desenvolvido por ele não aceitava números que não haviam sido autorizados pela Justiça. “A ferramenta não deixou de fazer a função dela que era fazer interceptações que haviam sido autorizadas pela Justiça”, disse.

De acordo com Torezan, no sistema de auditoria da ferramenta usada é possível saber quem foi ouvido, o responsável pela audição e quando as conversas foram ouvidas.

Torezan tinha sido cedido ao Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) desde 2006 e foi preso no mesmo dia que os coronéis Evandro Lesco e Ronelson Barros, que ocupavam naquela data os cargos de secretário-chefe e secretário-adjunto da Casa Militar, respectivamente.

Ele foi citado no depoimento espontâneo da sargento Andrea Cardoso prestado à Corregedoria da corporação. Ela confessou ter trabalhado na central de escutas telefônicas montada pelo Núcleo de Inteligência da PM num apartamento no Centro da capital sob a justificativa de investigar tráfico de drogas com envolvimento de policiais da instituição.

Os PMs são acusados de fazerem parte de um esquema de espionagem, entre outubro de 2014 e agosto de 2015. Centenas de pessoas que não eram suspeitas de terem cometido crimes foram espionadas, entre elas jornalistas, uma deputada de oposição, médicos, servidores públicos, empresários, advogados e um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Os grampos foram operados pela Polícia Militar por meio do Núcleo de Inteligência, numa suposta investigação sobre a participação de policiais em tráfico de drogas. Porém, a polícia pediu à Justiça a autorização para quebrar o sigilo telefônico de pessoas que não tinham nada a ver com essa apuração, numa manobra conhecida como “barriga de aluguel”.

Apenas o inquérito contra os militares tramitam na Justiça estadual. Desde outubro do ano passado, o esquema está sendo investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A decisão de tirar o processo das mãos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) atendeu aos pedidos feitos pelo governador Pedro Taques (PSDB) e pelo Ministério Público Federal (MPF).

Com isso, todas as diligências e depoimentos que até então ocorriam sob a relatoria do desembargador Orlando Perri, no TJMT, passaram a tramitar sob a supervisão do ministro Mauro Marques, do STJ.

 

Por G1

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